cada alma cuida de seu próprio nariz

a questão da cocaína é de estar ou não dentro da própria alma . o poema está no mais honesto de cada molécula que teu corpo sonha ou inventa . as palavras que não existem: estrelas que se foram . cada um de nós tem uma música *** interna uma canção *** só, nua ….

A Poesia Latino-Americana

Algo horrível, cavalheiros. A vacuidade e o espanto. Paisagem de formigas No vazio. Mas no fundo, úteis. Leiamos e contemplemos seu discorrer  diário: Ali estão os poetas do México e da Argentina, do Perú e da Colombia, do Chile, Brasil e da Bolívia Empenhados em suas parcelas de poder, Em pé de guerra (permanentemente), dispostos…

A pré-adolescência da eternidade

poema de aniversário para o Atile Alberto Muniz Quando penso que estou 47 anos atrasado para te conhecer dou de cara com o imponderável. A imortalidade em mim me diz que estamos no momento exato da realização do impossível. Nossas matérias tem 47 anos de diferença, mas nossa eternidade é a mesma. Antes de existir…

“A lesma sabe de cor o lugar da manhã que se abre primeiro”

. Uma das melhores coisas de Lumiar foi passar os dias em companhia da obra completa do Manoel de Barros que levei comigo e andava sempre às minhas costas, igual à casa deste caramujo. A poesia dele estava presente em tudo que me rodeava, olhando o tempo, o chão, as criaturas. E era como se…

sobre daguerreótipos e aquecimento global

me vejo falando de amor como quem fala de zootropos e super oitos.   algo mais antigo que os primórdios do cinema. toda história de amor é um longa-metragem amador, de estética VHS. a fita se gasta a cada rebobinagem.   antes dos beijos cinematográficos já se falava nele, o amor. antes das estrelas de…

o amor nos tempos de Sci-Fi

  há algo de não reciclável em nossa história de amor   leva anos se decompondo no meio ambiente mais imortal que um saco plástico e que bubbaloo de tutti frutti   somos porta-retratos da maré vazante   nossos corações de plutônio nunca vão se desfazer   somos seres de mercúrio e nossos beijos envenenam…

Poema de Roberto Bolaño

MINHA CARREIRA LITERÁRIA Rejeições de Anagrama, Grijalbo, Planeta, com toda certeza Também de Alfaguara, Mondadori, Um não de Muchnik, Seix Barral, Destino… Todas as editoras… Todos os leitores… Todos os gerentes de venda… Sob a ponte, enquanto chove, uma oportunidade de ouro de olhar para mim mesmo: como uma lebre no Polo Norte, mas escrevendo….

Tradução de 3 poemas de Roberto Bolaño

Tradutor Vinicius Varela 1 A lembrança de Lisa se liberta outra vez e cruza a fresta da noite. Uma corda, um feixe de luz e está feito: a aldeia mexicana ideal. No meio da barbárie, o sorriso de Lisa, o filme gelado de Lisa, o refrigerador de Lisa com a porta aberta orvalhando um pouco…

“Candombe cruzando la calle”

“Candombe cruzando la calle”, Montevideo-Uruguay, Feria de Tristán Narvaja, septiembre de 2016. Foto: Vinicius Varela mi tía detenida ante la marcha de el candombe del tiempo el mes de septiembre no envejecerá jamás porque está en el termo de su mate junto con el agua caliente mi tía sosteniendo el mate de la memoria con…

Neurônios do céu

Neurônios do céu, Montevideo -Uruguay, septiembre de 2016. Foto Vinicius Varela os neurônios do céu estão morrendo pobre de mim que sou apenas um pensamento

Materialização

Nona micronarrativa do projeto Aparatagens   O telefone toca. – Sou eu – diz a voz da mulher. Ouve um barulho súbito de turbina do outro lado da linha. – Alô? Alô? – ela insiste – Atrás de você – a voz responde. – Mas…como você… chegou aqui? – ela pergunta. – Por que você…